terça-feira, 26 de abril de 2011

Vermelho

-Eu retirei a corrente do pescoço, a prata fazendo contraste com o vermelho de meu esmalte, o pingente de cristal em forma de coração balançava de um lado para o outro. Cristal, um material tão frágil, qualquer batida contra ele, o fazia virar mil pedacinhos brilhantes. O sol entrou pela janela, batendo contra o pingente e refletindo para todos os lados. Olhei para aquilo tudo encantada, como uma criança, eu deveria parecer uma criança naquele momento, meus olhos brilhavam com as infinitas cores que o Cristal produzira. Levantei-me da cama, onde eu ainda estava ajoelhada, deixando a seda vermelho sangue de meu vestido escorregar ate os joelhos. Parei em frente ao espelho, e passei nos lábios o batom, também vermelho. Olhei-me de corpo inteiro, vestida inteiramente de vermelho, eu sabia que estava pronta, eu sabia que você não iria resistir, humano nenhum jamais resistiu. Era sempre assim, tanto o vermelho quanto o preto faziam contraste com a minha pele, extremamente branca, e homem nenhum resistia. Eu sempre fui mais adepta ao vermelho, porque tinha a cor do sangue que eu derramaria. Eu saia de casa apenas uma vez por dia, mas quando saia era para matar, pra ver o sangue ser derramado, para ver o tão precioso liquido vermelho verter pelas veias da vitima e parar ainda quente em minhas mãos. Eu matava apenas por prazer, nada mais do que isso. Nunca tomei uma gota sequer do sangue de minhas vitimas, porque eu sabia que iria depender dele para o resto da vida. Eu realmente matava por prazer, pra sentir o cheiro do sangue humano, pra ver o medo estampado nos olhos de minhas vitimas. – A mulher parou a narrativa, se voltando para o homem que continuava a encará-la pasmado, não sabia dizer se pela beleza ou pelas confidencias da bela mulher. Seus olhares ficaram presos por um minuto, e ele teve a certeza de que se aproximava cada vez mais a hora em que ela partiria para cima dele e tomar-lhe-ia a vida. Os olhos dela estavam pretos, tamanho o prazer que ela sentia apenas por ver o homem encarando-a assustado. – Mas antes de eu me deliciar com seu sangue, rapaz, eu devo responder-lhe algumas perguntas, que provavelmente se passam por sua cabeça agora. Quem sou eu? Jessica Loober sou uma espécie não descoberta por vocês ainda, nenhum conto ou historia sobre nós, o que nos ajuda muito na hora de fazer vitimas, como é meu caso, ou caçar, como é o caso de muitos conhecidos meus. Não estou viva, mas não estou morta. Não tenho um coração batendo, mas tenho um pulmão funcionando. Não vou mais morrer, mas também tenho restrições. Seria facilmente igualada a uma vampira, mas estou longe de ser isso. Posso ter a imortalidade igual a eles, e posso depender do sangue caso o experimente, mas eu posso caminhar a luz do sol, não temo nem o alho e nem a cruz – a mulher parou novamente e aproximou-se do homem, usando as unhas extremamente longas e afiadas para cortar-lhe a garganta sem deixar oportunidade de fuga. O sangue escorreu pelas mãos dela e misturou-se ao vestido, ela sorriu sentindo o cheiro impregnar-lhe por completo. Um momento de insanidade pelo cheiro poderia fazer-lhe experimentar do sangue e tornar-se dependente dele para sempre, mas mais de 500 anos de experiência faziam-na forte o suficiente, para fechar os olhos, inalar o cheiro e manter-se completamente sana. Com o sorriso no rosto, levantou-se e partiu sem olhar para tras, deixando ali, exposto para quem passasse por aquela rua, o corpo do homem que acabara de matar. O pingente de cristal pendurado no pescoço, a fazia se lembrar que os humanos eram tão frágeis quanto o cristal, mas assim como o pingente eram extremamente deslumbrantes, o sorriso dela se apagou ao lembrar de seu garoto, mas centenas de anos haviam se passado, e separavam dela essa realidade, tudo que ela tinha para lembrar da sua época como humana era o pingente de cristal que o tão amado garoto lhe dera.

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