terça-feira, 20 de setembro de 2011

Energia - Continuação

Virou-se a fim de ficar por cima do menino, seus olhares se cruzando e mantendo-se presos um ao outro. Aquela era a hora, a hora em que toda a angustia sairia de dentro de si. Caminhou seus lábios por toda extensão do pescoço do garoto, deixando um rastro de ardor por todo ele. O outro por sua vez, sentia sua energia esvaindo-se cada vez mais, o cansaço tomando conta de si, mas mesmo assim não seria capaz de negar jamais o tanto de prazer que apenas o roçar de lábios por seu pescoço lhe causava, algo inumano. Fechou os olhos, e deixou que a mulher fizesse o que queria com si. Grande erro. Sua energia era literalmente sugada de si, alimentando a mulher que o seduzira mais cedo, e ele sequer se dava conta disso, completamente inerte em seu próprio prazer.

Pouco tempo depois, o corpo do garoto jazia inerte sobre a cama, a mulher se sentia satisfeita. Toda a energia sugada do corpo, agora sem vida, do menino deixara-a elétrica e sedenta por mais. O lado bom de ser a única sobrevivente de sua espécie era esse, poderia alimentar-se de vários por noite, e ninguém percebia. O lado ruim, não existia realmente. Só existia aquela dor por ter perdido o único homem que a fizera querer deixar de ser quem era, e carregava isso consigo até hoje, e era isso que a fazia perder o controle noite após noite. Mesmo que não se lembrasse depois. Corria noite após noite pelas ruas sombrias de Londres, alimentando-se dos ingênuos, mas jamais era capaz de lembrar-se de ter saído na noite anterior. Seu subconsciente bloqueava as memórias, era um ato de puro desespero sim, mas essa era a melhor palavra para descreve-la: desespero. Ela era apenas alguém desesperado para por fim a sua tortura que poderia ser eterna.

A noite havia se tornado dia novamente, e ela estava saciada, e nada exausta. Ao contrario, estava elétrica devido a quantidade de energia roubada de seus doces garotos, pobre garotos.

domingo, 11 de setembro de 2011

Energia

Não era comum que ela saísse aquela hora do dia, mas fora inevitável. Seus pensamentos haviam trilhado uma linha para o lado proibido, suas lembranças haviam tomado-a, seus sentimentos haviam florescido. Ela estava vulnerável, e isso não era algo que conseguia aceitar.

O vestido azul moldava-se ao seu corpo perfeitamente e se não fosse a pele clara ela se esconderia na noite escura. Ela não gostava de sair a noite, não era seu comum, mas nessa noite era preciso. Entenda, ela não tinha nada contra a noite, muito pelo contrario, a noite a atraia como ela atraia os homens. Era uma atração que a fazia perder o controle, a fazia ser ela mesma. E ela gostava disso, mas não podia fazer isso. Ela havia prometido, então sempre fugia da noite.

Fechou os olhos e aspirou o perfume natural que a noite tinha. Um cheiro doce, tentador. Um cheiro que apenas ela poderia sentir, ninguém mais, jamais seria capaz de sentir. A não ser, é claro, que ela decidi-se procriar-se. Ela vivia bem sozinha, não precisava de ninguém para acompanhar-lhe. Não podia negar, queria ter sim a companhia de alguém, alguém que ela não fora capaz de salvar.

Um barulho ao seu lado a fez virar-se agilmente, e assumir pose de defesa. Ninguém jamais seria capaz de feri-la, ela era mais rápida, mais ágil, e mais experiente. Um garoto de aproximadamente 20 anos a encarava curioso. Cabelos enrolados e castanhos, olhos verdes, pele tão clara quanto a sua. Ela chacoalhou a cabeça. Ele não estava ali realmente, era apenas mais uma de suas alucinações. Fechou os olhos e encarou o garoto que realmente estava a sua frente. Cabelos pretos e bagunçados, olhos extremamente azuis, um sorriso no lábio, e uma pele clara, não como a sua, mas ainda sim clara. Ele se aproximou e ela ficou parada. Ótimo, era ele quem ela procurava. Não teria trabalho nenhum em convence-lo a ir para seu quarto, só tinha dó por sua ingenuidade, e porque ele era realmente bonito. Era uma pena ter que tirar a vida de alguém tão bonito, mas até ela achar outro alguém que a atraísse tanto assim, demoraria horas. Deixou que o garoto se aproximasse o máximo que queria, e estendeu-lhe a mão, o silencio entre os dois era normal. Ela não se importava em falar, ele não se importava com nada, queria apenas ‘sexo com a mulher gostosa que estava a sua frente’.

Alguns minutos depois e ela estava de volta ao quarto. Não era o seu, muito menos o dele, era apenas um quarto qualquer de sua casa, que reservara para isso. Deitou-se a cama, seus lábios se chocando com o do garoto, que inexperiente passava a mão por todo seu corpo. Talvez, se ele soubesse onde tudo isso iria parar, jamais teria olhada para a mulher.


__X__

Se alguem realmente gostar eu continuo postando, se não eu paro por aqui. Nem é muito longo, mas enfim.
Fazer um comentario não mata, certo? Só um 'up' já é o suficiente pra me dizer que gostou.

sábado, 10 de setembro de 2011

*I Just Wanna Hold Your Hand*

Ela andava ao meu lado cantarolando baixinho alguma musica que eu não me preocupei em reconhecer. Estava, na realidade, perdida em pensamentos, debatendo comigo mesmo se segurava sua mão ou não. Enquanto meu lado emocional me perguntava porque eu ainda não havia entrelaçado nossos dedos, meu lado racional praticamente gritava que havia gente nos observando.
Suspirei frustrada sem saber o que fazer, e isso atraiu sua atenção para mim, um sorriso leve nos seus lábios e os olhos brilhando, para mim, por mim.
E isso foi o que bastou para eu perder o pouco de juízo que eu ainda tinha e prendesse suas mãos entre as minhas. O sorriso que ela deu valeu a pena e cobriu os murmúrios que eu já era capaz de ouvir ao nosso redor. Ela também parecia não se importar, e isso me fez sorrir.
Afinal, de que importava os murmúrios que falavam de nós, se estávamos ali, as duas, juntas, e compartindo um momento nosso?
“Eu te amo” as palavras saíram antes mesmo que eu me desse conta que havia pensado nelas e ela sorriu parando de andar e me fazendo parar também.
“Eu te amo também pequena” ela sussurrou antes de eu sentir seus lábios sendo pressionados contra os meus num selinho leve. Era um toque gentil e carinhoso, mas que significava muito para ambas.
Sorrimos juntas quando cortamos aquele leve contato e voltamos a caminhar pela praia, sua mão bem segura entre a minha.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Conformação*

Você esta lá, sozinho, observando o céu escurecer gradativamente enquanto seu pensamento viaja para cada vez mais longe de onde seu corpo esta, e isso nem sempre é bom.

Uma brisa fria bate contra seu corpo e você instintivamente deseja ter o dele para te proteger. E esse desejo faz com que o frio, que antes era físico, penetre seu corpo, quase que congelando órgão por órgão seu. Respirar se tornou difícil e o sangue já não parecei mais correr dentro de você, apesar das, cada vez mais, insistentes tentativas do seu coração de faze-lo fluir. Ele, na realidade, batia cada vez mais rápido e forte num ultimo ato de desespero de manter-se aquecido.

Isso te fez sorri levemente, porque apesar de quase todo seu organismo estar a mercê da dor, inclusive a sua mente que o torturava com lembranças que lutara para enterrar, seu coração ainda lutava por vida, querendo sobreviver.

Uma lagrima escorreu por seu rosto numa reação simples a dor agoniante que assolava seu corpo. Você sofria em silencio, conformado com o que lhe passava, e isso te fez recordar que essa mesma conformidade te fez perde-lo. Talvez se você tivesse reagido ao invés de simplesmente aceita o corpo dele estivesse ali para aquecer o seu enquanto a noite se tornava cada vez mais fria.

Mas, uma vez mais, você apenas aceitou toda a situação ao invés de levantar e sair dali, aquecendo-se e procurando-o. Era exatamente isso que seu coração pedia. Pedia para que você lutasse por ele, mas assim como ele, você sabia que não faria nada, e isso te fez abaixar a cabeça em rendimento.

E então, tão de repente quanto começou o frio passou e você levou um tempo para entender que alguém colocara um cobertor sobre seu corpo.

O sorriso voltou a nascer nos seus lábios enquanto seu coração voltava a bater ritmadamente, sem desespero e sem pressa, enfim aquecido e vitorioso por ter resistido.

O espaço ao seu lado foi preenchido por um corpo que você conhecia tão bem quanto o teu próprio e você instintivamente procurou pela mão dele entrelaçando seus dedos. Ao menos essa iniciativa tinha que vir de você;

Ele estava sorrindo e você sabia disso, assim como ambos sabiam que tentar ficar separados era inútil, porque assim como você ele sofria em silencia pela distancia dos dois, mas ao contrario de você, ele não aceitava isso e lutava para te ter por perto, mesmo que isso causasse algumas brigas pela inconsequência dele, que por sinal era algo que você descobriu amar nele.

Desviou o olhar das estrelas que brilhavam no negrume do céu para buscar o oceano dos olhos deles. Olhos os quais você sabia que estavam completamente fixos em você, e isso te fez sorris mais ainda.

E foi nessa simples troca de olhares que você pode fizer tudo que sentia. Foi no silencio do seu sorriso que pode explica-lo o quanto o amava e na simplicidade de um entrelaçar de mãos o quanto era grato por ele estar ali, com você e por você, como sempre esteve.

sábado, 3 de setembro de 2011

Daydreaming

Queria que estivesse aqui, ao meu lado nessa cama que parece imensa só para mim. Te ter aqui pra me abraçar, me beijar, me fazer sua, sussurrar que me ama, para então me desejar boa noite e adormecermos. Eu assim, presa e segura entre seus braços por toda a noite.
Amanha então eu despertaria antes de ti apenas para observar-te dormindo, depois de um tempo seus olhos lentamente se abririam e um sorriso leve se formaria em seus lábios quando nossos olhares se cruzassem. Enquanto você faz manha por querer dormir mais eu te desejo um bom dia seguido de um eu te amo, e então me levantaria contrariando-te e caminharia até a cozinha para preparar algo para o café, algo simples, mas ainda sim algo. Sua voz então vem de algum lugar, agora mais forte, me pedindo para voltar para cama e alegando que hoje era sábado e não tínhamos nada que fazer. Eu sorrio apenas de lembrar que poderia passar o dia todo contigo e então com tiradas e leite retorno ao quarto me sentando a teu lado na cama. Seus olhos brilham numa mistura de contentamento com a comida e alegria por eu ter cedido ao seu desejo. E só isso é o suficiente para me deixar com um sorriso nos lábios o resto do dia. E você sabe disso. Sabe o efeito que tem em mim, sabe o quanto sou vulnerável a suas vontades e desejos, o como apenas um eu te amo já é o suficiente para me deixar com o coração acelerado.
Um barulho ao lado da cama desperta-me de meus devaneios tomando consciência que você não estava de fato ali, mas ao pegar o celular e abrir a mensagem é inevitável sorrir 'boa noite, sonhe comigo. E não se esqueça jamais que te amo'