Virou-se a fim de ficar por cima do menino, seus olhares se cruzando e mantendo-se presos um ao outro. Aquela era a hora, a hora em que toda a angustia sairia de dentro de si. Caminhou seus lábios por toda extensão do pescoço do garoto, deixando um rastro de ardor por todo ele. O outro por sua vez, sentia sua energia esvaindo-se cada vez mais, o cansaço tomando conta de si, mas mesmo assim não seria capaz de negar jamais o tanto de prazer que apenas o roçar de lábios por seu pescoço lhe causava, algo inumano. Fechou os olhos, e deixou que a mulher fizesse o que queria com si. Grande erro. Sua energia era literalmente sugada de si, alimentando a mulher que o seduzira mais cedo, e ele sequer se dava conta disso, completamente inerte em seu próprio prazer.
Pouco tempo depois, o corpo do garoto jazia inerte sobre a cama, a mulher se sentia satisfeita. Toda a energia sugada do corpo, agora sem vida, do menino deixara-a elétrica e sedenta por mais. O lado bom de ser a única sobrevivente de sua espécie era esse, poderia alimentar-se de vários por noite, e ninguém percebia. O lado ruim, não existia realmente. Só existia aquela dor por ter perdido o único homem que a fizera querer deixar de ser quem era, e carregava isso consigo até hoje, e era isso que a fazia perder o controle noite após noite. Mesmo que não se lembrasse depois. Corria noite após noite pelas ruas sombrias de Londres, alimentando-se dos ingênuos, mas jamais era capaz de lembrar-se de ter saído na noite anterior. Seu subconsciente bloqueava as memórias, era um ato de puro desespero sim, mas essa era a melhor palavra para descreve-la: desespero. Ela era apenas alguém desesperado para por fim a sua tortura que poderia ser eterna.
A noite havia se tornado dia novamente, e ela estava saciada, e nada exausta. Ao contrario, estava elétrica devido a quantidade de energia roubada de seus doces garotos, pobre garotos.