quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Conformação*

Você esta lá, sozinho, observando o céu escurecer gradativamente enquanto seu pensamento viaja para cada vez mais longe de onde seu corpo esta, e isso nem sempre é bom.

Uma brisa fria bate contra seu corpo e você instintivamente deseja ter o dele para te proteger. E esse desejo faz com que o frio, que antes era físico, penetre seu corpo, quase que congelando órgão por órgão seu. Respirar se tornou difícil e o sangue já não parecei mais correr dentro de você, apesar das, cada vez mais, insistentes tentativas do seu coração de faze-lo fluir. Ele, na realidade, batia cada vez mais rápido e forte num ultimo ato de desespero de manter-se aquecido.

Isso te fez sorri levemente, porque apesar de quase todo seu organismo estar a mercê da dor, inclusive a sua mente que o torturava com lembranças que lutara para enterrar, seu coração ainda lutava por vida, querendo sobreviver.

Uma lagrima escorreu por seu rosto numa reação simples a dor agoniante que assolava seu corpo. Você sofria em silencio, conformado com o que lhe passava, e isso te fez recordar que essa mesma conformidade te fez perde-lo. Talvez se você tivesse reagido ao invés de simplesmente aceita o corpo dele estivesse ali para aquecer o seu enquanto a noite se tornava cada vez mais fria.

Mas, uma vez mais, você apenas aceitou toda a situação ao invés de levantar e sair dali, aquecendo-se e procurando-o. Era exatamente isso que seu coração pedia. Pedia para que você lutasse por ele, mas assim como ele, você sabia que não faria nada, e isso te fez abaixar a cabeça em rendimento.

E então, tão de repente quanto começou o frio passou e você levou um tempo para entender que alguém colocara um cobertor sobre seu corpo.

O sorriso voltou a nascer nos seus lábios enquanto seu coração voltava a bater ritmadamente, sem desespero e sem pressa, enfim aquecido e vitorioso por ter resistido.

O espaço ao seu lado foi preenchido por um corpo que você conhecia tão bem quanto o teu próprio e você instintivamente procurou pela mão dele entrelaçando seus dedos. Ao menos essa iniciativa tinha que vir de você;

Ele estava sorrindo e você sabia disso, assim como ambos sabiam que tentar ficar separados era inútil, porque assim como você ele sofria em silencia pela distancia dos dois, mas ao contrario de você, ele não aceitava isso e lutava para te ter por perto, mesmo que isso causasse algumas brigas pela inconsequência dele, que por sinal era algo que você descobriu amar nele.

Desviou o olhar das estrelas que brilhavam no negrume do céu para buscar o oceano dos olhos deles. Olhos os quais você sabia que estavam completamente fixos em você, e isso te fez sorris mais ainda.

E foi nessa simples troca de olhares que você pode fizer tudo que sentia. Foi no silencio do seu sorriso que pode explica-lo o quanto o amava e na simplicidade de um entrelaçar de mãos o quanto era grato por ele estar ali, com você e por você, como sempre esteve.

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