Apenas um especialista no assunto seria capaz de escutar os passos que eram dados no corredor escuro de tão silenciosos que eram. Não apenas sileciosa como vagarosamente o homem se aproximava da porta enteraberta por onde uma fina linha de luz escapava. Parou ao vão da porta e cuidadosamente observou a habitação e a movimentação dentro dela.
A excrivaninha extremamente organizada, com os livros organizados por ordem de tamanho, todas as canetas dentro do porta-lapis, e no centro um laptop fechado.
A cama não só arrumada como sem uma marcação sequer, os travesseiros escondidos pela colcha e as alfomadas enfeitando o simples conjunto.
A porta do armario fechada escondia seu conjunto, mas o homem podia imaginar como as roupas estavam dispostas: primeiro todas as camisas, depois camisetas, seguidas por calças, saias e finalizando com vestidos. Cada seção seria, ainda, separada por cores indo da mais escuro para a mais clara, do preto ao cinza, do vermelho ao rosa, do laranja ao amarelo, do purpura ao lilas, cada tom de azul ou verde, e por fim, o branco.
Tudo começava pelo lado esquerdo e terminava no direito, exatamente como ele observara o quarto e como os passos da dança que a mulher que dançava incansavelmente a frente do espelho, tão atenta em corrigir qualquer possivel erro que não percebera ainda o fato de estar sendo observada.
Perfeição e organização era algo que os dois compartilhavam. Nada abaixo do perfeito era aceitavel, e uma folha fora do lugar era o suficiente para tira-los do sério.
O médico dela havia dito que isso era uma doença, não tinha mudado qualquer coisa que fosse para ela.
O médico dele havia dito exatamente a mesma coisa, ele não concorda.
Ela segue a vida o mais normal possivel.
Ele tenta provar que esta certo.
Ela encara.
Ele foge.
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