sábado, 3 de março de 2012

Obsessão

Apenas um especialista no assunto seria capaz de escutar os passos que eram dados no corredor escuro de tão silenciosos que eram. Não apenas sileciosa como vagarosamente o homem se aproximava da porta enteraberta por onde uma fina linha de luz escapava. Parou ao vão da porta e cuidadosamente observou a habitação e a movimentação dentro dela.

A excrivaninha extremamente organizada, com os livros organizados por ordem de tamanho, todas as canetas dentro do porta-lapis, e no centro um laptop fechado.

A cama não só arrumada como sem uma marcação sequer, os travesseiros escondidos pela colcha e as alfomadas enfeitando o simples conjunto.

A porta do armario fechada escondia seu conjunto, mas o homem podia imaginar como as roupas estavam dispostas: primeiro todas as camisas, depois camisetas, seguidas por calças, saias e finalizando com vestidos. Cada seção seria, ainda, separada por cores indo da mais escuro para a mais clara, do preto ao cinza, do vermelho ao rosa, do laranja ao amarelo, do purpura ao lilas, cada tom de azul ou verde, e por fim, o branco.

Tudo começava pelo lado esquerdo e terminava no direito, exatamente como ele observara o quarto e como os passos da dança que a mulher que dançava incansavelmente a frente do espelho, tão atenta em corrigir qualquer possivel erro que não percebera ainda o fato de estar sendo observada.

Perfeição e organização era algo que os dois compartilhavam. Nada abaixo do perfeito era aceitavel, e uma folha fora do lugar era o suficiente para tira-los do sério.

O médico dela havia dito que isso era uma doença, não tinha mudado qualquer coisa que fosse para ela.

O médico dele havia dito exatamente a mesma coisa, ele não concorda.

Ela segue a vida o mais normal possivel.

Ele tenta provar que esta certo.

Ela encara.

Ele foge.

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