Apenas trocou de roupa, e deixou com que o corpo caísse em cima de sua cama. O cheiro inebriando-a, este era seu cheiro preferido, melhor do que a noite, era o cheiro dele. Um que somente ele tinha e ninguém mais era capaz de ter. Mais uma vez, apenas ela era capaz de sentir tal cheiro. Agradecia e amaldiçoava essa capacidade de sentir e definir cheiros tão saborosos para ela, e imperceptíveis para os humanos. Esses cheiros eram perfeitos, e facilitavam sua busca pela pessoa certa, mas lembravam-na o quão fraca fora um dia, o quanto perdera por falhar uma única vez. E essa única falha a levava a querer sempre mais e mais a perfeição, a qual tinha cada vez mais dificuldade em encontrar.
Relaxou o corpo, apesar da falta de cansaço, não impediria que o sono tomasse conta de si, uma vez que dormir era reconfortante, a fazia esquecer seus erros, seus desejos, seus sentimentos. Ela, enquanto dormia, era quase como que alguém em estado vegetativo. Não via, não ouvia, não sentia, não pensava, pelo menos não no mundo dos humanos. E isso fazia com que se sentisse leve quando acordava, seus sonhos eram sempre reconfortantes, porém eram apenas sonhos, e isso era desesperante.
Seus olhos fecharam-se intuitivamente, o gramado verde tão conhecido já lhe era visível, o odor das flores se misturando, a brisa leve, a musica suave ao fundo, que vinda de lugar nenhum, e mais a frente estava ele, James, o seu James. Encontrou os olhos verdes dele e um sorriso singelo nasceu em seus lábios espontaneamente. Seus movimentos eram controlados pelo outro, mesmo que ele não soubesse. Seu corpo respondia ao dele automaticamente, mesmo quando este não estava presente.
James continuava parado no mesmo lugar de sempre, a luz do sol refletindo o castanho de seus cabelos, sua pele extremamente branca quase reluzia a luz do sol, seus olhos verdes só brilhavam mais com o contato direto da luz solar, e nos seus lábios um sorriso simples, e quase imperceptível, mas que ela, e apenas ela, era capaz de perceber, porque era o seu sorriso.
Caminhou lentamente até ele, a luz tinha o mesmo efeito em sua pele, que era tão branca quanto a dele, seus cabelos literalmente refletiam a luz, e seus fios deixavam o louro normal e se tornavam dourados, deixando-a ainda mais bonita e sedutora do que já era. Um vestido preto em seu corpo fechava seu visual, e era capaz de fazer qualquer homem cair a seus pés. Mas não James. James era capaz de resistir a sua beleza, mesmo que não o fizesse, de controlá-la, e ele era o único a quem ela permitia manter o controle.
Tocou seu rosto, tentando mais uma vez convencer-se de que ele era real, e não mais uma alucinação. Naquele lugar ele era real, sempre seria. Seus braços se fecharam ao redor do pescoço dele, seu rosto de encontro com o peito, e inevitavelmente as lagrimas caíram. Ela podia fazer o que queria, mas não era capaz de controlar o choro que lhe tomava quando o assunto era ele.
-Eu sinto sua falta.- ela sussurrou, e ele apenas apertou-a ainda mais contra si, no intuito de protege-la, de mante-la sã, de acabar com a dor que a consumia, mesmo sabendo ser impossível. A sua própria não sumia.
-Eu também. – respondeu, a voz dele soando como música em seus ouvidos, a música que tocava ao fundo já lhe era imperceptível, uma vez que estava nos braços de James.
Sentaram-se na grama verde, o sol atingindo-lhes e aquecendo-os. Os braços dele ainda envolta de si, seu rosto agora próximo ao dele. Seus lábios a centímetros de distancia dos deles. Era inegável sua vontade de uni-los, mas sabia que se o fizesse, voltaria automaticamente a ficar sozinha, se veria no quarto, deitada na cama novamente, e a presença dele era mais do que necessária. Essa historia que viver em duas dimensões, e tê-lo pela metade era angustiante e cansativa. Toda a energia que sugava dos humanos era gasta ali, com ele.
As horas passavam e eles nem sequer reparavam, estava entretidos em suas conversas, em suas trocas de olhares, em seus desejos de possuir um o corpo do outro, em seu auto-controle para resistir as tentações. A necessidade de estarem apenas próximos e vendo um ao outro era o suficiente para evitar qualquer contato proibido que os separaria. A hora da despedida de aproximava com o por do sol.
-James... – chamou, e ele desviou seu olhar pra si. – eu não quero ir embora, não quero ficar sem você. – completou em voz baixa. Seu tom meio doloroso.
-Eu estarei te esperando para o dia de amanha, assim como faço todos os dias. – ele respondeu, e sorrir foi inevitável. – você ainda vira viver aqui comigo, pra sempre. Assim, poderemos ter tudo que um dia tivemos. Só temos que ter calma, e esperar o tempo agir a nosso favor, meu amor. – ele completou. Aproximou-se dele, agora que iria ter que voltar de qualquer modo, não tinha o porque não fazer isso.
Seus lábios se uniram aos dele, e a maciez que tanto amava foi sentida por um segundo, antes que acordasse e se visse em sua cama. Virou-se de bruço, desejando poder voltar a ficar com ele, e aceitando o fato de que enquanto o tempo não deseja-se, seu corpo ficaria preso ao mundo dos humanos, e seu coração ao mundo ao qual pertencia.
A falta que ele fazia no mundo humano era o suficiente para faze-la se levantar da cama, trocar de roupa e sair mais uma vez a caça de energia humana para se alimentar.
A noite lhe atraia, e ela sairia essa noite, mesmo que esse não fosse o comum para si. Pelo fato da noite lhe atrair tanto, preferia ficar em casa durante ela.
E era assim que ela vivia, em dois mundos, vivendo duas realidades diferentes e esquecendo-se completamente de uma.
Otimo......
ResponderExcluirpena que acabou!! ficou perfeito! :D
parabens madame claudia....escreveu de um jeito que eu gostaria de ser capaz de escrever!!
gostei msm!
quando voltar para o Brasil, precisamos trocar umas ideias....iremos crescer muito na maneira de escrever!!
torno a dizer: PARABENS!
BJOS
ual´, eu amei a personagem principal....ja tem nocao do que vai escrever no proximo texto?
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