O despertador tocou e ela se levantou quase que instantaneamente, como fazia todos os dias.
Vestiu-se e foi até o banheiro para o sua higiene pessoal, logo em seguida passando a maquiagem e arrumando o cabelo, assim como nos outros dias.
Então levemente e cuidadosamente desceu as escadas e foi até a cozinha, pegando o suco na porta da geladeira e colocando no copo que já deixara ali na noite anterior, exatamente como fazia em todos os outros dias do ano.
E então saia de casa e caminhava por cerca de dez minutos até o seu trabalho, ato este que ela repetiu.
Ao chegar ao escritório cumprimentou todos os colegas de trabalho com o mesmo oi de sempre e seguiu para sua sala.
Entrou deixando a porta entreaberta e colocou a pasta sobre a mesa.
Ela fazia tudo quase que roboticamente e seus colegas de trabalho –com quem convivia a quase um ano- já haviam se acostumado com seu modo sistemático de levar a vida, mesmo que não entendessem porque.
Alguns minutos mais tarde a porta se abriu e a secretaria entrou na sala com os papeis do dia, mas pela primeira vez encontrou-a não sentada em sua mesa tambolirando os dedos e revisando os relatórios uma ultima vez, e sim de costas para a porta, o olhar preso em algum ponto da cidade que se via pela grande janela as costas da mesa e uma das mãos segurando algo –que trazia pendurado ao pescoço- perto da boca.
Ela não se virou ou fez menção de ter percebido a presença da secretaria em sua sala, mesmo que a tivesse notado.
Os passos da mulher ecoaram pela sala enquanto deixava os papeis sobre a mesa e recolia os relatórios tão bem organizados que haviam sido deixados ali sem revisão.
Logo um barulho lhe indicou que a porta fora fechada, e que novamente se encontrava sozinha.
Apertou mais a mão contra o pingente e a boca ao mesmo tempo em que uma lágrima escorria por seu rosto vagarosamente até se perder em sua mão que ainda segurava o pingente como se sua vida dependesse disso.
E ela, de fato, sentia de dependia.
O rastro da lágrima parecia queimar em seu rosto, mas ela não se movimentou para limpar o rosto. Nem ao menos mudou o peso de pé.
Permaneceu ali, parada e submersa em sua dor, pensamentos e lembranças.
Presa em seu mundo próprio sem se importar com o tempo que passava ou os papeis que deveriam ser lido, revisados para então um relatório ser escrito.
Na realidade nada daquilo lhe importava, pelo menos não naquele dia.
Ela não reparou no tempo que passou porque no fundo não lhe importava. Não percebeu que o dia corria e que todos seguiam com sua vida enquanto ela estava ali apenas recordando dos anos anteriores que jamais poderiam ser vividos novamente.
E mais uma vez se arrependeu de coisas que disse e deixou de dizer, de coisas que fez e deixou de fazer.
E então com um suspirou longo e baixo ela fechou os olhos abaixando a cabeça por alguns minutos para logo em seguida dar as costas a janela, seu rosto novamente com aquele leve sorriso como se as ultimas horas não tivessem existido.
Sentou-se a mesa e começou a organizar os papeis como fizera na manha anterior e como sabia que faria na manha seguinte, sem se desviar da rotina já criada.
Exceto nessa mesma manha no ano seguinte, e no seguinte, e assim sucessivamente. Onde novamente pararia por algumas horas como fizera nesse ano e no anterior, criando assim uma nova rotina.
Porque esse fora o único modo encontrado para seguir em frente sem desmoronar, viver em rotinas que a impedissem de sentir.
Mesmo que uma delas tivesse sido especialmente criada para ser chamada de quebra de rotina.
__X__
Admito que não gostei muito dele, mas outras pessoas disseram que esta bom. Então decidi postar. Aguardo Review.
texto legal.....
ResponderExcluirsó que não seu jeito de escrever!! ficou muitooooo bom :D
paranems xuxu